jBelo Horizonte, 03 deNovembro de 2004 - Ano 02 Boletim #8

BOA NOTÍCIA
Catadores - lixo, cidadania e solidariedade

Coleta seletiva, desperdício, conscientização, mobilização e lixo. "Lixo? Que nada! Aqui tudo, ou quase tudo, é reaproveitável! Dos papéis rabiscados e jogados fora às garrafas pets e copos descartáveis. Todo o lixo que recebemos se transforma: são papéis reciclados, fibras sintéticas, tecido, artesanato e trabalho". A afirmação é do catador de papéis Alfredo, o Índio, responsável pela divulgação das ações e trabalhos desenvolvidos pela ASMARE - Associação dos catadores de papel, papelão e material reaproveitável -, que esteve com a gente no dia 29 de outubro para falar sobre lixo, reciclagem e cidadania.

Já ouviu falar sobre os catadores, a associação e a importância da coleta seletiva? Nós também. Mas importante mesmo foi ouvir a história de um ex-morador de rua que, como outros, encontrou na ASMARE uma referência de trabalho e cidadania. E, ainda, perceber que o lixo que produzimos todos os dias, aos montes, é matéria-prima para a confecção de outros materiais, produtos reciclados e geração de renda de centenas de
moradores de rua. Além disso, com o processo de coleta seletiva e reciclagem a gente pode construir um espaço mais limpo, saudável e melhor de se viver.

A ASMARE foi fundada há 14 anos, numa parceria que envolveu os catadores de papel, a Cáritas Brasileira, a Pastoral de Rua e a Prefeitura de Belo Horizonte, na época administrada pelo governo da Frente Popular e pelo prefeito Patrus Ananias. Para o catador, organizar significa dedicação, consciência, conhecimento e solidariedade. Segundo Índio, o processo de associação dos catadores "não se deu da noite para o dia. Foi preciso anos de trabalho, vontade e mobilização para chegarmos onde estamos hoje".

Atualmente, a ASMARE agrega 380 associados, envolvidos nas atividades de coleta, triagem e reciclagem de material. Os catadores passam por oficinas profissionalizantes e treinamento de manejo do lixo, enquanto seus filhos são capacitados em marcenaria e reaproveitamento de tecido. A associação criou, também, o Reciclo, um espaço de comercialização de produtos artesanais e que, nos finais de semana, funciona como casa noturna.

Para termos uma idéia do valor daquilo que consideramos lixo e seu processo de transformação, Índio nos contou quanto vale o que descartamos: 1kg de papel branco (o "ouro" do catador), vinte e cinco centavos; 1kg de latinhas de alumínio, quatro reais e cinquenta centavos; os vidros são enviados para a Santa Casa de Misericórdia. O alumínio se transforma em peças de canetas, réguas, telhas, caixas de suco; as garrafas pet em sofás, mesas, tecido; o copo descartável se transforma em capas de TV, vídeo e celular. E a renda do trabalho executado e da venda da matéria-prima para as fábricas de transformação é dividida entre os associados.

Apesar de todo este trabalho, e da coleta mensal de 400 toneladas de material reaproveitável (ou "lixo") por mês, Índio aponta a necessidade da contribuição da população e de políticas públicas voltadas para a questão da coleta seletiva e reciclagem de lixo. De todo o lixo recolhido na cidade, apenas 6% é coletado de maneira sustentável, os 94% restantes são descartados em aterros sanitários ou depositados em locais impróprios, poluindo lotes, nascentes, córregos e ruas. "As pessoas são informadas, mas ainda não perceberam a importância da coleta seletiva. Se cada família, casa, condomínio ou empresa contribuir, a gente consegue reverter essa situação".

E então? O que estamos esperando?! Aqui, na Rede Jovem de Cidadania, a gente já iniciou nossa coleta seletiva. Para cada tipo de material, um recipiente adequado. Depois, é só depositar nos locais de entrega voluntária (as LEVs) ou ligar para o serviço de recolhimento da ASMARE. Contribua você também! Vamos transformar o lixo em cidadania, geração de renda e material reciclado.

MAIS INFORMAÇÕES
ASMARE
Av. do Contorno, 10555 Barro Preto
31-3201.0717/ 3271.4455/ 3295.5615

Amanda Rodrigues



JOVENS QUE FAZEM A DIFERENÇA
Pelo desarmamento e por uma cultura da paz

Nessa edição, a gente não vai falar de um jovem em particular, mas de centenas deles que hoje estão engajados, junto ao Governo Federal, na Campanha do Desarmamento, realizada pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, a UNESCO e a Rede Globo.

Na semana passada, nós, correspondentes da Rede Jovem de Cidadania, estivemos presente no lançamento estadual da campanha, no qual diversos órgãos públicos, entidades civis e organizações se encontraram para discutir a questão do desarmamento e construção de uma cultura da paz e mobilização para a cidadania.

Para combater a violência e incentivar o desarmamento, o Governo Federal e o Congresso Nacional aprovaram o Estatuto do Desarmamento, uma atitude que se esperava há mais de dez anos e que consolida uma etapa importante do processo de construção de uma cultura da paz. Segundo o secretário de Estado de Defesa Social, Lúcio Urbano, "o comitê de desarmamento e de combate à violência precisa da adesão, apoio e criatividade da sociedade civil".

A campanha conta, principalmente, com o apoio de jovens, entidades, programas e projetos engajados na tessitura de uma rede de comunicação e ações capazes de fortalecer o movimento em favor do desarmamento, além de apoiar projetos que tenham caráter preventivo-educativo que envolvam crianças e jovens como os principais agentes de mobilização e de transformação junto aos seus familiares e comunidades.

Assim, jovens de todo o Brasil, ligados ao movimento hip-hop, cultura de periferia, observatórios de direitos humanos, entre outras manifestações artísticas e políticas, se organizam em torno do debate e mobilização por uma cultura da não violência
e desarmamento juvenil, uma vez constatado que as crianças e jovens brasileiros são as principais vítimas e atores da violência. É preciso chamar a atenção da sociedade brasileira para o preocupante quadro de envolvimento das pessoas em situações de violência com armas, sobretudo quando isso significa a vitimização de um impressionante número de crianças e jovens brasileiros.

A Campanha do Desarmamento, por seu caráter permanente, possibilita, a longo prazo, a transformação do pensamento da população em relação à segurança, armas de fogo e violência. E a gente acredita nisso. No entanto, é preciso, também, pensar no que gera e alimenta a cultura da violência em nossa sociedade, como a fome, o tráfico de drogas, o desemprego, a corrupção, entre outros. É preciso pensar, principalmente, em políticas públicas e ações do Estado que garantam a construção e manutenção dessa cultura da paz pela qual, hoje, nos mobilizamos.

PS: A campanha recebeu o Prêmio Unesco 2004, na categoria Direitos Humanos e Cultura da Paz. A Unesco considerou a Campanha do Desarmamento uma das melhores estratégias de promoção da paz já desenvolvidas na história do Brasil.

MAIS INFORMAÇÕES
Campanha do Desarmamento
0800-729 00 38

www.mj.gov.br/sedh/

Elaine Souza

VAI ROLAR!

"Negando a indiferença"

Acontece, de hoje a 19 de novembro, o 1º Seminário de Consciência Negra DCE-UFMG, no campus UFMG. O Seminário promove, mesas-redondas, oficinas, filmes e apresentações culturais. Em debate, Políticas de Ação Afirmativa no ensino superior, cultura afro-brasileira, discriminação racial, história nacional e identidade negra.

MAIS INFORMAÇÕES
1º Seminário de Consciência Negra DCE-UFMG - Negando a
indiferença
03 a 19 de Novembro de 2004
Campus UFMG - Av. Antônio Carlos, 6627 Pampulha
31-3213.4758

Educação, juventude e políticas públicas

No dia 04 de novembro, acontece, na Faculdade de Educação da UFMG, o seminário Juventude e EJA: Políticas Públicas na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O evento, fruto da pesquisa "Juventude, escolarização e poder local", desenvolvido pelo Núcleo de Educação de Jovens e Adultos da FAE-UFMG, problematiza o modo como vem sendo construído o campo das ações públicas destinadas à juventude. Entre os convidados, Marília Pontes Sposito (USP), Juarez Dayrell e Maria Amélia Giovanetti (UFMG). As inscrições e emissão de certificado serão realizadas no local.

MAIS INFORMAÇÕES
Juventude e EJA: políticas públicas na região metropolitana de Belo Horizonte
04 de Novembro de 2004
de 9 às 17h
Auditório Professor Neidson Rodrigues, FAE/UFMG
31-3499.5319

juventudejaufmg@yahoo.com.br


CAIA NA REDE!
Pequenas notas sobre jovens, rede e cidadania

#1
Os correspondentes da Rede Jovem de Cidadania passaram a integrar o Conselho Editorial Mineiro da Revista Viração, projeto da Associação de Apoio às Meninas e
Meninos da Região Sé, em São Paulo, em parceria com o NCE-ECA/USP. Segundo o editor Paulo Lima, "a revista é um projeto social impresso" e tem como objetivo falar sobre jovens e inserí-los na construção da revista e no debate público sobre a juventude. Hoje, jovens de diferentes estados do país sugerem pautas e participam, em diversos níveis, da produção da revista. Em Minas Gerais, a proposta de criação do
Conselho partiu do Observatório da Juventude (FAE/UFMG) e, embora em fase de organização, já conta com a participação de jovens de projetos sociais e de mobilização para a cidadania, como o Fica Vivo, Cidadãos Planetários, Humbi Humbi, entre outros. Para saber mais sobre a Revista Viração, é só acessar o sítio www.revistaviracao.com.br

#2
No próximo Sábado, a equipe de TV apresenta o Meiofio, uma série de programas televisivos iniciada em 2002, que combina elementos de videoarte a uma proposta de experimentação coletiva que envolve diversos grupos comunitários. No centro do projeto está a intenção de promover uma prática crítica e reflexiva em relação aos meios de comunicação de massa.

Programa de TV da Rede Jovem de Cidadania
Sábado, dia 06 de Novembro de 2004
às 14h30
Rede Minas de Televisão
(canal 9 aberto e 20 a cabo)
tv@redejovembh.org.br

#3
Nosso webzine traz, toda semana, uma novidade. Na rede, ilustrações, o mundo num tabuleiro de xadrez, um passeio pelo Alto Vera Cruz e outras palavras, paisagens e idéias que atravessam o pensamento da gente. Venha conferir!
www.aic.org.br/rede/webzine
webzine@aic.org.br

 

Este Boletim Informativo é elaborado a partir de pesquisa e texto realizados pelos jovens integrantes da Rede Jovem de Cidadania.
Responsável: Ana Carvalho (Associação Imagem Comunitária)


Caso não queira mais receber este Boletim Informativo clique aqui.

É autorizada livremente a circulação do conteúdo deste Boletim Informativo em qualquer
meio de comunicação, eletrônico ou impresso, desde que citada a fonte.