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BOA
NOTÍCIA
Catadores
- lixo, cidadania e solidariedade
Coleta seletiva, desperdício,
conscientização, mobilização e lixo. "Lixo?
Que nada! Aqui tudo, ou quase tudo, é reaproveitável!
Dos papéis rabiscados e jogados fora às garrafas pets e
copos descartáveis. Todo o lixo que recebemos se transforma: são
papéis reciclados, fibras sintéticas, tecido, artesanato
e trabalho". A afirmação é do catador de papéis
Alfredo, o Índio, responsável pela divulgação
das ações e trabalhos desenvolvidos pela ASMARE - Associação
dos catadores de papel, papelão e material reaproveitável
-, que esteve com a gente no dia 29 de outubro para falar sobre lixo,
reciclagem e cidadania.
Já ouviu falar sobre os catadores, a associação e
a importância da coleta seletiva? Nós também. Mas
importante mesmo foi ouvir a história de um ex-morador de rua que,
como outros, encontrou na ASMARE uma referência de trabalho e cidadania.
E, ainda, perceber que o lixo que produzimos todos os dias, aos montes,
é matéria-prima para a confecção de outros
materiais, produtos reciclados e geração de renda de centenas
de
moradores de rua. Além disso, com o processo de coleta seletiva
e reciclagem a gente pode construir um espaço mais limpo, saudável
e melhor de se viver.
A ASMARE foi fundada há 14 anos, numa parceria que envolveu os
catadores de papel, a Cáritas Brasileira, a Pastoral de Rua e a
Prefeitura de Belo Horizonte, na época administrada pelo governo
da Frente Popular e pelo prefeito Patrus Ananias. Para o catador, organizar
significa dedicação, consciência, conhecimento e solidariedade.
Segundo Índio, o processo de associação dos catadores
"não se deu da noite para o dia. Foi preciso anos de trabalho,
vontade e mobilização para chegarmos onde estamos hoje".
Atualmente, a ASMARE agrega 380 associados, envolvidos nas atividades
de coleta, triagem e reciclagem de material. Os catadores passam por oficinas
profissionalizantes e treinamento de manejo do lixo, enquanto seus filhos
são capacitados em marcenaria e reaproveitamento de tecido. A associação
criou, também, o Reciclo, um espaço de comercialização
de produtos artesanais e que, nos finais de semana, funciona como casa
noturna.
Para termos uma idéia do valor daquilo que consideramos lixo
e seu processo de transformação, Índio nos contou
quanto vale o que descartamos: 1kg de papel branco (o "ouro"
do catador), vinte e cinco centavos; 1kg de latinhas de alumínio,
quatro reais e cinquenta centavos; os vidros são enviados para
a Santa Casa de Misericórdia. O alumínio se transforma em
peças de canetas, réguas, telhas, caixas de suco; as garrafas
pet em sofás, mesas, tecido; o copo descartável se transforma
em capas de TV, vídeo e celular. E a renda do trabalho executado
e da venda da matéria-prima para as fábricas de transformação
é dividida entre os associados.
Apesar de todo
este trabalho, e da coleta mensal de 400 toneladas de material reaproveitável
(ou "lixo") por mês, Índio aponta a necessidade
da contribuição da população e de políticas
públicas voltadas para a questão da coleta seletiva e reciclagem
de lixo. De todo o lixo recolhido na cidade, apenas 6% é coletado
de maneira sustentável, os 94% restantes são descartados
em aterros sanitários ou depositados em locais impróprios,
poluindo lotes, nascentes, córregos e ruas. "As pessoas
são informadas, mas ainda não perceberam a importância
da coleta seletiva. Se cada família, casa, condomínio ou
empresa contribuir, a gente consegue reverter essa situação".
E então?
O que estamos esperando?! Aqui, na Rede Jovem de Cidadania, a gente
já iniciou nossa coleta seletiva. Para cada tipo de material, um
recipiente adequado. Depois, é só depositar nos locais de
entrega voluntária (as LEVs) ou ligar para o serviço de
recolhimento da ASMARE. Contribua você também! Vamos transformar
o lixo em cidadania, geração de renda e material reciclado.
MAIS
INFORMAÇÕES
ASMARE
Av. do Contorno, 10555 Barro Preto
31-3201.0717/ 3271.4455/ 3295.5615
Amanda
Rodrigues
JOVENS QUE FAZEM A DIFERENÇA
Pelo
desarmamento e por uma cultura da paz
Nessa edição,
a gente não vai falar de um jovem em particular, mas de centenas
deles que hoje estão engajados, junto ao Governo Federal, na Campanha
do Desarmamento, realizada pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos
da Presidência da República, a UNESCO e a Rede Globo.
Na semana passada, nós, correspondentes da Rede Jovem de Cidadania,
estivemos presente no lançamento estadual da campanha, no qual
diversos órgãos públicos, entidades civis e organizações
se encontraram para discutir a questão do desarmamento e construção
de uma cultura da paz e mobilização para a cidadania.
Para combater a violência e incentivar o desarmamento, o Governo
Federal e o Congresso Nacional aprovaram o Estatuto do Desarmamento,
uma atitude que se esperava há mais de dez anos e que consolida
uma etapa importante do processo de construção de uma cultura
da paz. Segundo o secretário de Estado de Defesa Social, Lúcio
Urbano, "o comitê de desarmamento e de combate à
violência precisa da adesão, apoio e criatividade da sociedade
civil".
A campanha conta, principalmente, com o apoio de jovens, entidades, programas
e projetos engajados na tessitura de uma rede de comunicação
e ações capazes de fortalecer o movimento em favor do desarmamento,
além de apoiar projetos que tenham caráter preventivo-educativo
que envolvam crianças e jovens como os principais agentes de mobilização
e de transformação junto aos seus familiares e comunidades.
Assim, jovens
de todo o Brasil, ligados ao movimento hip-hop, cultura de periferia,
observatórios de direitos humanos, entre outras manifestações
artísticas e políticas, se organizam em torno do debate
e mobilização por uma cultura da não violência
e desarmamento juvenil, uma vez constatado que as crianças e jovens
brasileiros são as principais vítimas e atores da violência.
É preciso chamar a atenção da sociedade brasileira
para o preocupante quadro de envolvimento das pessoas em situações
de violência com armas, sobretudo quando isso significa a vitimização
de um impressionante número de crianças e jovens brasileiros.
A Campanha do Desarmamento, por seu caráter permanente, possibilita,
a longo prazo, a transformação do pensamento da população
em relação à segurança, armas de fogo e violência.
E a gente acredita nisso. No entanto, é preciso, também,
pensar no que gera e alimenta a cultura da violência em nossa sociedade,
como a fome, o tráfico de drogas, o desemprego, a corrupção,
entre outros. É preciso pensar, principalmente, em políticas
públicas e ações do Estado que garantam a construção
e manutenção dessa cultura da paz pela qual, hoje, nos mobilizamos.
PS: A campanha recebeu o Prêmio Unesco 2004, na categoria Direitos
Humanos e Cultura da Paz. A Unesco considerou a Campanha do Desarmamento
uma das melhores estratégias de promoção da paz já
desenvolvidas na história do Brasil.
MAIS
INFORMAÇÕES
Campanha do Desarmamento
0800-729 00 38
www.mj.gov.br/sedh/
Elaine
Souza
VAI
ROLAR!
"Negando a indiferença"
Acontece, de hoje
a 19 de novembro, o 1º Seminário de Consciência Negra
DCE-UFMG, no campus UFMG. O Seminário promove, mesas-redondas,
oficinas, filmes e apresentações culturais. Em debate, Políticas
de Ação Afirmativa no ensino superior, cultura afro-brasileira,
discriminação racial, história nacional e identidade
negra.
MAIS
INFORMAÇÕES
1º Seminário de Consciência
Negra DCE-UFMG - Negando a
indiferença
03 a 19 de Novembro de 2004
Campus UFMG - Av. Antônio Carlos, 6627 Pampulha
31-3213.4758
Educação,
juventude e políticas públicas
No dia 04 de novembro,
acontece, na Faculdade de Educação da UFMG, o seminário
Juventude e EJA: Políticas Públicas na Região
Metropolitana de Belo Horizonte. O evento, fruto da pesquisa "Juventude,
escolarização e poder local", desenvolvido pelo Núcleo
de Educação de Jovens e Adultos da FAE-UFMG, problematiza
o modo como vem sendo construído o campo das ações
públicas destinadas à juventude. Entre os convidados, Marília
Pontes Sposito (USP), Juarez Dayrell e Maria Amélia Giovanetti
(UFMG). As inscrições e emissão de certificado serão
realizadas no local.
MAIS
INFORMAÇÕES
Juventude e EJA: políticas públicas
na região metropolitana de Belo Horizonte
04 de Novembro de 2004
de 9 às 17h
Auditório Professor Neidson Rodrigues, FAE/UFMG
31-3499.5319
juventudejaufmg@yahoo.com.br
CAIA NA REDE!
Pequenas notas sobre jovens, rede e cidadania
#1
Os correspondentes da Rede Jovem de Cidadania passaram a integrar o Conselho
Editorial Mineiro da Revista Viração, projeto da Associação
de Apoio às Meninas e
Meninos da Região Sé, em São Paulo, em parceria com
o NCE-ECA/USP. Segundo o editor Paulo Lima, "a revista é
um projeto social impresso" e tem como objetivo falar sobre jovens
e inserí-los na construção da revista e no debate
público sobre a juventude. Hoje, jovens de diferentes estados do
país sugerem pautas e participam, em diversos níveis, da
produção da revista. Em Minas Gerais, a proposta de criação
do
Conselho partiu do Observatório da Juventude (FAE/UFMG)
e, embora em fase de organização, já conta com a
participação de jovens de projetos sociais e de mobilização
para a cidadania, como o Fica Vivo, Cidadãos Planetários,
Humbi Humbi, entre outros. Para saber mais sobre a Revista Viração,
é só acessar o sítio www.revistaviracao.com.br
#2
No próximo Sábado, a equipe de TV apresenta o Meiofio,
uma série de programas televisivos iniciada em 2002, que combina
elementos de videoarte a uma proposta de experimentação
coletiva que envolve diversos grupos comunitários. No centro do
projeto está a intenção de promover uma prática
crítica e reflexiva em relação aos meios de comunicação
de massa.
Programa
de TV da Rede Jovem de Cidadania
Sábado, dia 06 de Novembro de 2004
às 14h30
Rede Minas de Televisão (canal
9 aberto e 20 a cabo)
tv@redejovembh.org.br
#3
Nosso webzine traz, toda semana, uma novidade. Na rede, ilustrações,
o mundo num tabuleiro de xadrez, um passeio pelo Alto Vera Cruz e outras
palavras, paisagens e idéias que atravessam o pensamento da gente.
Venha conferir!
www.aic.org.br/rede/webzine
webzine@aic.org.br
Este
Boletim Informativo é elaborado a partir de pesquisa e texto realizados
pelos jovens integrantes da Rede Jovem de Cidadania.
Responsável: Ana Carvalho (Associação Imagem Comunitária)

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