jBelo Horizonte, 24 de Fevereiro de 2005 - Ano 02 Boletim #18

BOA NOTÍCIA

“Eu, nelas, nós”

(...) Eu jovem/ eu potente/ eu mulher
eu sábia/ eu favela/ eu tudo/ eu negra (...)
Vanessa Beco, integrante do grupo Mulheres Negras Ativas

Qual o papel delegado às mulheres negras, jovens, moradoras da periferia de Belo Horizonte? Quais os canais de manifestação cultural a elas reservados? Quais os seus direitos no interior de uma cultura que privilegia, seja nas relações sociais, políticas ou nas relações de trabalho, a participação masculina?

Ao se deparar com estas questões, um grupo de amigas, ativistas do movimento negro, criaram, em 2003, o grupo Mulheres Negras Ativas. Inicialmente, o grupo, ligado à cultura Hip Hop, tinha por objetivo mobilizar e sensibilizar outros movimentos e mulheres por meio da composição de músicas que abordavam preconceitos e discriminações vivenciadas socialmente.

Em 2004, as Negras Ativas ampliaram sua intervenção nas comunidades propondo o desenvolvimento de oficinas político-culturais voltadas para as mulheres, e agregando novas militantes ao movimento.

Hoje, o grupo se organiza em torno de ações que se voltam para a inclusão e reconhecimento da mulher na arena do debate político, cultural, familiar e social, afirmando seu espaço criativo e expressivo na construção de uma sociedade mais plural, pautada no respeito aos direitos de mulheres e homens. A diversidade, o respeito mútuo e a liberdade de expressão são propostos como os principais instrumentos de transformação das relações de gênero.

Para saber mais sobre o grupo Mulheres Negras Ativas: negrasativas@yahoo.com.br

 

BOCA NO TROMBONE
espaço aberto pra falar sobre
cultura, juventude e comunicação

Construir relações de respeito é possível

Foi lançado o primeiro fanzine do grupo Mulheres Negras Ativas “A teimosia nos ensinou a resistir”. A edição traz artigos que refletem sobre as políticas de ação afirmativa nas escolas e universidades, a criação do grupo, direitos das mulheres, entre outros. Segue, abaixo, o artigo de Larissa Amorim Borges, que versa sobre as relações de consumo, formas de resistência das mulheres e a construção conjunta (por homens e mulheres) de um mundo melhor.

“Se a humanidade tem sofrido as drásticas conseqüências do avanço do neoliberalismo, as mulheres negras (especialmente as jovens moradoras de periferias, vilas e favelas) são as que mais têm se confrontado com campanhas ideológicas reacionárias e desmobilizadoras que atacam sua dignidade e seus direitos fundamentais em favor da lógica do consumo.

Frente a isso, multiplicam-se por todo o mundo as novas formas de organização e resistência das mulheres. Seja através dos fazeres culturais, como na atual ampliação da participação feminina na cultura Hip Hop, ou em formas alternativas de organização econômica, como é o caso da formação de cooperativas e grupos produtivos, o recado está dado: assim como o mundo, nós, mulheres, não somos mercadorias!

Agora é hora de avançarmos ainda mais. É trabalhando junt@s (homens e mulheres, e não mais apenas as mulheres) que poderemos construir relações de fato transformadoras, que sejam espaços verdadeiramente férteis para novas possibilidades de viver e partilhar a afetividade, a sexualidade e o poder.

Negras Ativas é uma das organizações que se propõem a isso".

Para entrar em contato com a Larissa Amorim: 31-9227.1464

 

Este Boletim Informativo é elaborado a partir de pesquisa e texto
realizados pelos jovens integrantes do Projeto Rede Jovem de Cidadania.
Responsável: Ana Carvalho (Associação Imagem Comunitária)

 

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