jBelo Horizonte, 17 de Março de 2005 - Ano 02 Boletim #21

BOA NOTÍCIA

Mulher Saúde e Cidadania

Com o objetivo de promover a saúde integral e garantir um espaço de articulação política e de fiscalização da qualidade dos serviços de saúde pública prestados à mulher, nascia, há cerca de 15 anos, em Belo Horizonte, o MUSA – Mulher e Saúde: Centro de Referência de Educação em Saúde da Mulher.

A organização desenvolve, hoje, uma série de programas e projetos que envolvem diversos segmentos da sociedade, com ênfase nos grupos em situação de vulnerabilidade social. Entre os programas, destaca-se a Educação Popular em Saúde, que busca a construção de uma prática de educação fundada na problematização, conscientização, libertação e transformação social. Um saber construido coletivamente, no qual a valorização da cultura e das realidades dos sujeitos é o ponto de partida para a compreensão e a formulação de um conceito ampliado de saúde e cidadania.

O MUSA volta-se, também, para a promoção dos direitos das mulheres, a redução dos índices de morbi-mortalidade feminina, a transformação das relações de gênero, a proposição e monitoramento de políticas públicas de saúde da mulher, além do fortalecimento do exercício da cidadania, buscando a construção do protagonismo e autonomia da mulher em suas relações cotidianas.

A ONG possui, ainda, a Biblioteca MUSA, um centro de convivência e formação, no qual se encontram títulos de referência em saúde da mulher, cidadania, educação popular, entre outras publicações. A biblioteca funciona de segunda à sexta-feira, de 9h às 16h, e as visitas devem ser agendadas com antecedência.

O Musa fica localizado à rua Itacolomito, 83, bairro Horto. Mais informações pelo telefone 31-3467.5875 ou pelo e-mail musamulheresaude@uol.com.br


Boca no Trombone!

Na semana passada, a discussão dos direitos da mulher esteve em evidência na mídia, em função do Dia Internacional. Áurea Dejavu, do coletivo Hip Hop Chama, defende que oito de março seja todos os dias. Ela aponta atitudes e conceitos ainda consolidados nos discursos para e sobre a mulher, e percebe que grande parte da fala cotidiana presente nos espaços públicos, nas famílias e na mídia reproduzem discursos autoritários, revelando uma cultura ainda desigual e excludente.

Oito de Março todos os dias
por Áurea Dejavu

“Fevereiro vai terminando, março entra em cena... E neste período aparecem várias propagandas chamando a atenção das pessoas para o Dia Internacional da Mulher, o Oito de Março. O que se nota, contudo, é que tais propagandas, em grande parte, trazem “deixas” sutis (ou não tão sutis), que reproduzem discursos machistas, sexistas, violentos e opressores. Além disso, a maioria dos meios de comunicação trata o Oito de Março como um acontecimento essencialmente comercial, deturpando o caráter de sensibilização, conscientização, engajamento e luta que esta data carrega.

Vendendo lindas imagens de mulheres vaidosas e com famílias felizes, uma mensagem de apelo, do tipo “presenteie sua companheira do dia-a-dia”, e um produto, geralmente perfumes, sapatos ou flores, as propagandas reforçam a ideologia machista construída em nossa sociedade, colocando a mulher como um acessório na vida do homem. A mulher é aquela que se limita aos afazeres domésticos, se sobrecarrega sozinha para cuidar da família e ainda por cima tem de ser muito vaidosa, sedutora e objeto de prazer masculino. Isso sem falar nas outras épocas do ano, principalmente no verão, em que a figura da mulher é jogada nos comerciais de forma até muito mais violenta e revoltante do que nos comerciais para o Oito de Março.

Migrando para o contexto da cultura hip hop, o trato da questão da mulher é, com freqüência, igualmente complicado. Estamos cercados de pessoas que rotulam o “estilo” feminino, dizem como as mulheres devem se vestir e se portar, qual é o “papel” da mulher e por aí vai. No rap, não é novidade que existem muitas músicas marcadas pela violência contra a mulher, por opiniões absurdas a respeito de como deve ser a conduta de uma mulher, pelo desrespeito constante à figura feminina. Exemplos não faltam.

Não se trata aqui de apenas apontar atitudes condenáveis e uma ideologia opressora, mas sim de posicionar-se contra tudo isso e promover o debate permanente para que a sociedade sepulte de vez as bestialidades cometidas contra as mulheres. E não é fácil. Eu mesma, muitas vezes, sou vista como uma chata e conheço várias mulheres de luta que também são ridicularizadas por não aceitarem, por exemplo, brincadeirinhas aparentemente inofensivas, mas que estão carregadas de violência contra a mulher.

O Oito de Março é uma data que deve estar sempre presente em nosso cotidiano. Sim, em nosso cotidiano, porque nas simples atitudes diárias é que reproduzimos a discriminação e o preconceito. É preciso cultivar com urgência uma consciência humanista, que preza pela vida, pela liberdade, pelo amor. Não adianta simplesmente se dar conta de que a violência existe. É fundamental se sensibilizar sobre esta questão, avaliar sua postura pessoal e agir de maneira a não reproduzir a estrutura machista da nossa sociedade. Não interessa se você é um homem ou uma mulher. É momento de seres humanos se engajarem na luta pela causa das mulheres.”


Vai Rolar

Vai rolar, no próximo sábado, dia 19 de março, show com o grupo de percussão Arautos do Gueto, formado por moradores do Aglomerado Morro das Pedras, e o Candombe da Serra do Cipó, comunidade quilombola de Cardeal Mota. O evento acontece a partir das 22h, no Recanto da Seresta, na Praça Duque de Caxias, 120, no bairro Santa Tereza. Mais informações pelo telefone 31-99393895 ou pelo e-mail batuquebrazuka@hotmail.com.

Este Boletim Informativo é elaborado a partir de pesquisa e texto
realizados pelos jovens integrantes do Projeto Rede Jovem de Cidadania.
Responsável: Ana Carvalho (Associação Imagem Comunitária)

 

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