jBelo Horizonte, 07 de Abril de 2005 - Ano 02 Boletim #25

Especial Políticas Públicas de Juventude # 1

A partir de hoje, a agência de notícias da Rede Jovem de Cidadania vai publicar uma série especial sobre políticas públicas de juventude.

A juventude tem sido um tema muito discutido no Brasil nos últimos anos. Não é para menos. Os jovens representam, hoje, cerca de 20% da nossa população, o que corresponde a aproximadamente 34 milhões de brasileiras e brasileiros com idade entre 15 e 24 anos. A chamada “onda jovem” que o país atravessa tem incentivado o debate, mobilizando diferentes setores da sociedade e o poder público.

Mas o tema não ficou tão badalado só por conta desses fatos. Em parte, tanta atenção voltada para os jovens tem origem na constatação das graves desigualdades vividas por eles. São tantas as diferenças sociais, econômicas e culturais existentes entre os jovens brasileiros, que há quem prefira falar em juventudes, no plural.

Como resposta aos desafios que se colocam, a discussão sobre políticas públicas de juventude vem ganhando força no cenário nacional. Tais políticas são vistas como um caminho democrático que pode contribuir para a melhoria da situação de vida dos jovens. A sociedade tem o papel de cobrar e de levar ao governo propostas de acordo com as necessidades diagnosticadas. O governo, por sua vez, deve promover ações que possam efetivamente atingir os problemas levantados.

Com essa série especial, a Rede Jovem de Cidadania pretende dar visibilidade aos principais acontecimentos e debates em curso, para contribuir com a mobilização da sociedade civil em torno da questão da juventude.

 

Etapas da vida e demandas por políticas públicas



Em qualquer lugar do mundo, as pessoas sempre atravessam, ao longo de suas vidas, momentos que trazem necessidades e experiências específicas, passando por etapas singulares da existência. Assim, percebemos que crianças são diferentes de jovens, que jovens são diferentes de adultos, que adultos são diferentes de idosos.

Naturalmente, os fatores que diferenciam a infância, a juventude, a idade adulta e a velhice podem variar muito entre as sociedades, levando em conta múltiplos aspectos biológicos, culturais e sócio-econômicos. Devido a esta complexidade, não é possível engessar padrões para estabelecer quem são os jovens, muito embora existam elementos comuns compartilhados pelas pessoas no estágio da juventude, como o ingresso no mundo do trabalho, a ampliação de vínculos grupais e identitários, a “experimentação” de escolhas na vida, entre outras características.

Entretanto, quando falamos de políticas públicas para os diferentes segmentos populacionais, é necessário gerar critérios objetivos que definam estas populações, mesmo reconhecendo a limitação dos conceitos. Isto porque o poder público, pelo menos em tese, deve direcionar sua ação para um “alvo” determinado, de forma a racionalizar o uso de recursos e a não sobrepor ações.

Em geral, a idade passa a ser a referência que estabelece quais são as etapas da vida. A juventude, no Brasil, tem sido reconhecida como a população com idade entre 15 e 24 anos, conforme convenção da ONU e da UNESCO, mas a faixa etária de 15 a 29 anos também é reconhecida com freqüência. Desse modo, as políticas públicas de juventude normalmente atingem uma parcela de cidadãos com idades que variam de 15 a 24 anos, eventualmente alargando esta faixa até 29 anos ou a idades inferiores a 15 anos.


Áurea Carolina
Observatório da Juventude da UFMG,
Associação Imagem Comunitária e Coletivo Hip Hop Chama

 

Responsáveis: Ana Carvalho (coordenação da agência de notícias) e Áurea Carolina (coordenação da série especial de políticas públicas de juventude) (Associação Imagem Comunitária)

 

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