| Especial
Políticas Públicas de Juventude # 8
O
Conselho Municipal de Juventude de Belo Horizonte
Os conselhos de direitos são entidades públicas e paritárias,
ou seja, metade dos conselheiros é indicada pelos órgãos
de governo e a outra metade é escolhida por organizações
da sociedade civil. Estes representantes governamentais e não-governamentais
devem trabalhar em conjunto para garantir e fortalecer os diversos direitos
sociais. Os conselhos têm como função formular,
articular e fiscalizar a implementação de políticas
públicas, além de auxiliar na integração
entre órgãos do Estado e entidades da sociedade civil.
No entanto, os conselhos podem se tornar espaços pouco efetivos
ou inoperantes, palco de disputas políticas e de manipulação.
Para que um conselho atue de forma legítima, democrática
e qualificada, é necessário que a sociedade civil
tenha ampla capacidade de pressão, proposição e
fiscalização de políticas. Também é
fundamental que a esfera de governo tenha uma postura colaborativa em
relação ao órgão.
No caso do Conselho Municipal de Juventude de Belo Horizonte
(CMJ-BH), que foi instituído em 1998 e teve sua primeira
composição nomeada em 1999, o modelo ideal de funcionamento
nunca foi atingido. Lideranças do movimento juvenil avaliam que,
nos seis anos do órgão, pouco foi conquistado em termos
de participação popular, responsividade perante a sociedade
civil e capacidade de intervenção na construção
de uma política municipal de juventude. Atualmente, o CMJ-BH
está inativo, posto que ainda não foi realizado o processo
eleitoral para a gestão 2005/2007.
Segundo o ex-presidente do primeiro mandato, Alexandre Farah, vários
motivos podem influir na redução da participação
efetiva dos conselheiros. No caso do CMJ-BH, ele ressalta dois problemas
principais: o “tendenciamento do grupo que conduz a política,
sempre ligado ao poder, e a busca constante de hegemonia por parte de
grupos ligados a partidos políticos”.
Diante deste quadro, tem surgido em Belo Horizonte uma movimentação
pública em favor da reestruturação
do Conselho Municipal de Juventude. O fórum de organizações
juvenis de BH está empenhado nesta articulação,
reivindicando maior publicização, transparência
e legitimidade nas eleições que devem ser instauradas
em breve nas nove regiões da cidade. Para isso, defendem a importância
de a população conhecer o Conselho e participar ativamente
do processo eleitoral.
Responsáveis:
Ana Carvalho (coordenação da agência de notícias)
e
Áurea Carolina (coordenação da série especial
de políticas públicas de juventude)

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