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jBelo Horizonte,
15 de Fevereiro de 2006 - Ano 03 Boletim # 09 |
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JUVENTUDE DE ATITUDE
No final de 2003, eles(as) mapearam, durante apenas um dia, cerca de quarenta grupos culturais do Aglomerado. Aplicavam, nessa atividade, conhecimentos e métodos que aprenderam num curso de gestão e produção cultural do qual estavam participando. Encontraram de tudo: rock, artesanato, rap, pagode, poesia, dança de rua... Embora fossem jovens artistas e moradores(as) da mesma comunidade, não imaginavam que ali houvesse tanta gente produzindo cultura. Perceberam que a maioria dos grupos enfrentava, assim como eles(as), inúmeras dificuldades para desenvolver e mostrar os seus trabalhos. Para aqueles(as) jovens, ficava cada vez mais evidente a necessidade de realizar ações conjuntas que pudessem potencializar a produção cultural da favela. Alguns já faziam parte de uma organização de hip hop que atuava com esse propósito, mas era preciso criar um movimento multicultural mais amplo, capaz de envolver produtores(as), grupos e artistas de diferentes estilos e linguagens. É com essa ênfase que Reinaldo conta como se deu o surgimento do Criarte – Comunidade Reivindicando e Interagindo com a Arte, um coletivo de articulação cultural que busca resgatar, unificar, incentivar e tornar visível a arte do Aglomerado da Serra, situado na região centro-sul de Belo Horizonte. Composto por representantes de grupos culturais locais, sobretudo jovens lideranças, o Criarte desenvolve estratégias de mobilização e comunicação na perspectiva de rede, integrando referências sociais do Aglomerado, tais como ONGs, comerciantes, líderes comunitários(as) e associações, também tendo em vista possibilidades de intercâmbio com outras favelas. Reinaldo, 25 anos, faz parte do grupo Vozes do Rap e é um dos idealizadores e articuladores do Criarte. Para ele, a mobilização comunitária é tão importante quanto a renovação do olhar dos(as) moradores(as) e da sociedade em geral sobre a cultura popular. Ou seja, além de realizar eventos, motivar a rede e batalhar por condições materiais de trabalho, o Criarte também busca transformações no campo simbólico, através do reconhecimento, da afirmação e da valorização das diversas identidades. Com essas diretrizes, o Criarte continua mapeando os grupos culturais e tem realizado uma série de eventos, como mostras de dança, atividades de ocupação de espaços públicos e de arrecadação de alimentos para famílias em situação de risco social. Em junho de 2004, promoveu a I Feira de Arte e Cultura do Aglomerado da Serra, em parceria com o Espaço Criança Esperança, evento que reuniu aproximadamente 5.000 pessoas, inclusive da região metropolitana de BH. A segunda edição da feira está programada para meados de março de 2006. Atualmente, o Criarte está desenvolvendo o projeto Rede-Muim, um conjunto de ações de cunho político-pedagógico que visa estimular e fortalecer as redes de relações já existentes no cenário cultural do Aglomerado. Como desdobramentos desse projeto, que foi aprovado em 2004 pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura, estão previstas a criação da Casa de Cultura Criarte e a realização de um vídeo documentário, de um programa semanal na rádio comunitária Conexão FM e de uma mostra cultural. O projeto conta com o apoio do Espaço Criança Esperança, entidade parceira que cede uma sala para as reuniões semanais do Criarte.
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por esta edição: Áurea Carolina (redação),
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