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jBelo Horizonte,
20 de abril de 2006 - Ano 03 Boletim # 20 |
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JUVENTUDE EM REDE De olho em jovens comunicadores Projeto
Olho Vivo viabiliza produção de três jornais comunitários
Melhorar a qualidade de vida de jovens de baixa renda entre 13 e 20 anos, oferecendo espaços para seu crescimento pessoal nas oficinas de mídia e possibilitando o protagonismo por meio de grupos de jovens comunicadores. É o que pretende o projeto Olho Vivo, realizado pela ONG Bem TV – Educação e Comunicação, de Niterói (RJ). O projeto viabiliza três jornais comunitários e um sítio eletrônico, produzidos por adolescentes das comunidades da Grota, Morro do Preventório e Jurujuba. A história do Olho Vivo começou em 2003, quando 60 jovens do Preventório participaram de uma oficina de fotografia. Eles fizeram um levantamento visual do local onde moram e também um diagnóstico da situação de vida na região. No ano seguinte, os jovens decidiram criar um jornal mensal que circulasse no Preventório e contribuísse para o desenvolvimento comunitário. Nascia assim o jornal Palavra do Morro, cujos integrantes foram capacitados pelo Olho Vivo por meio de oficinas de texto, programação visual e fotografia, além de aulas de juventude e cidadania. Atendendo à demanda de comunidades vizinhas, as oficinas se expandiram em 2005 e mais dois jornais foram criados: o Jornal da Grota, na favela da Grota, e o Mar de Histórias, na colônia de pesca Jurujuba. O Olho Vivo é patrocinado pelo Programa Petrobras Fome Zero. Até 2005, o projeto já havia formado 160 alunos. Ele possui hoje 40 jovens trabalhando na publicação dos três jornais. Além disso, dez jovens das três comunidades, formados numa oficina de webdesigner oferecida pelo projeto em 2005, elaboraram um site para a Internet – o Niterói Comunidades, no qual disponibilizam as matérias veiculadas nos jornais. A página conta com atualizações feitas pelos próprios jovens. “Os jovens dos grupos de mídia impressa participam de reuniões de pauta com os conselhos comunitários, produzem as matérias, diagramam o jornal, imprimem e distribuem os exemplares nas comunidades, enquanto os garotos da Internet geram conteúdos e atualizam o site. Os jovens têm autonomia total no processo”, destaca a coordenadora do Núcleo de Audiovisual da Bem TV, Daniela Araújo. Os veículos buscam a sustentabilidade com anúncios de restaurantes, padarias, profissionais da comunidade e outros. As oficinas do Olho Vivo são a porta de entrada dos jovens no projeto. “A Bem TV divulga o início das oficinas nas comunidades e escolas. De acordo com o interesse, o perfil sócio-econômico, a disponibilidade de tempo, a faixa etária e a situação escolar, nós selecionamos os jovens para ingressar no projeto”, conta Araújo. Após participarem das oficinas, os jovens produzem as edições número “zero” dos veículos, com a supervisão dos educadores das oficinas. Depois eles dão prosseguimento às publicações de forma autônoma, com a assessoria da Bem TV. Um exemplo de atuação cidadã desses jornais ocorreu em 2004, quando o Palavra do Morro pôs em campo uma campanha de conscientização sobre o lixo. Durante um mês, os jovens produziram matérias sobre coleta seletiva e, em parceria com o grupo de audiovisual Nós na Fita, também assessorado pela Bem TV, exibiram vídeos sobre o tema no Morro do Preventório. Ao final da campanha, eles articularam um encontro com representantes da sociedade civil e da Companhia de Limpeza Urbana de Niterói (Clin), com o objetivo de encontrar soluções conjuntas para o problema do lixo. “Os jornais trazem assuntos das próprias comunidades ou que sejam relevantes para elas”, acrescenta Araújo. A jovem Flávia Gomes da Conceição, 16 anos, reside no Morro do Preventório e estuda no Colégio Estadual Manoel de Abreu, em Niterói. Ela é uma das fundadoras do jornal Palavra do Morro, para o qual contribui até hoje com textos e fotos. “Escrevi em todas as edições do jornal. Mas o diferencial em fazê-lo está na possibilidade de interagir com a comunidade por meio de ações e atividades”, afirma. Apesar do gosto pelo jornalismo, ela pretende mesmo é cursar Ciências Sociais. “É uma área dentro da qual vou poder conhecer melhor a sociedade e o indivíduo. Tenho o desejo de mudar as coisas, mas sem adotar a postura de culpar e criticar tudo. Sou também responsável pela sociedade em que vivo”, pontua.
A rede de trocas entre projetos juvenis que iniciou-se com o 1º
Encontro Nacional Juventude em Rede, realizado em dezembro do ano passado
em Belo Horizonte, ampliou as perspectivas de atuação
dos jovens de Niterói. “No início, os garotos estranharam
as diferenças culturais existentes entre os diversos estados.
Mas logo perceberam o que há de comum e aproveitaram para aprender
com as diferenças e as experiências dos outros. Quando
os jovens percebem que não estão sozinhos e que muitos
outros grupos buscam fazer a diferença, eles produzem ainda mais
e intensificam o desejo de transformar suas comunidades, tomando novo
fôlego para continuar nessa trajetória”, avalia a
coordenadora do Olho Vivo, Olívia Madeira de Melo. Olho
Vivo – Niterói / RJ
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Responsáveis por esta edição: Leonardo Coelho e Avery Veríssimo (redação), Warley Bombi (design e editoração) e Rafaela Lima (coordenação e edição).
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