Belo Horizonte, 03 de julho de 2006 - Ano 03 Boletim # 31

ESPECIAL ALDEIA KILOMBO SÉCULO 21

Aldeia em festa

Namastê: apesar da derrota na Copa, não faltou animação cultural
A torcida para a partida entre França e Brasil, na Praça da Estação, foi ao som do grupo Namastê. Mas, apesar de toda animação em cantar, tocar e dançar, o Namastê não pôde evitar a derrota que tirou o Brasil da Copa. De qualquer forma, o público pôde aproveitar para conhecer de perto o trabalho deste grupo de jovens que faz a percussão com instrumentos confeccionados por eles mesmos.

Batida ecoa pela cidade
O domingo da Aldeia foi marcado pelo o encontro de diversos ritmos no cortejo de tambores. Pessoas de todas as idades, com destaque para os jovens, entoaram uma forte batida, marcada pela soma da riqueza dos sons dos grupos Namastê, Meninos do Morro, Aruê das Gerais, Trovão das Minas, Odum Odara, Arautos do Gueto, Trovão das Minas e Gonguê. A festa tomou as ruas e distribuiu animação no centro de BH.

Saúde para todos
Carlos Roberto Galho (Mestre Índio), que há 20 anos dedica sua vida à capoeira angola e a práticas populares de saúde, esteve presente na Aldeia no domingo, durante a Feira de Arte Negra. Mestre Índio levou ao evento um pouco de irridologia, benzeção, fitoterapia, acupuntura, homeopatia e massoterapia, numa parceria com o Instituto de Terapias Aiurveda, Biosaúde e Status. Sua proposta é divulgar práticas de saúde alternativas acessíveis à população.

Música e atuação comunitária
Omim Odara é um bloco afro com cinco anos de existência e origem no candomblé. Eles realizam um trabalho que vai além da música, atuando junto à comunidade e promovendo oficinas de artesanato, como corte e costura, bordado e serigrafia. As oficinas envolvem cerca de 60 alunos no Barreiro de Cima. O bloco apresentou composições próprias no domingo, dia 02, e deu uma mostra do que está preparando para o Carnaval 2007.

 

Olha só quem está na Aldeia!

Marlene Silva: promovendo a cultura afro-brasileira pelo mundo
Marlene Silva é uma referência nacional e internacional da nossa cultura. Ao longo de quatro décadas, a percussora na pesquisa e difusão da cultura afro-brasileira já repassou seus conhecimentos para mais de dois mil alunos.

O percurso de Marlene passa por diversas instituições de ensino, como escolas e universidades, no Brasil e em outros países. Ela conta que viveu uma certa discriminação no espaço acadêmico, mas avalia, animada, que tem percebido, nos últimos anos, uma sensível queda no preconceito.

Sua atuação envolve também o teatro e o cinema, participando de filmes de destaque como “Xica da Silva” de Cacá Diegues (palma de Ouro em Cannes – 1979), no qual atuou como coreógrafa.

A artista completou 70 anos no último dia 27 e esbanja disposição. “Nós temos que discutir e colocar em prática uma faculdade que reúna teatro, dança e percussão. Existem várias academias que trabalham com a dança afro, mas esquecem que a dança tem técnica. É necessário profissionais especializados”.

Por fim, Marlene faz um balanço da luta e suas conquistas: “quando voltei para BH, em 1973, era lamentável a discriminação. A dança afro não era valorizada naquele tempo, e é aos poucos que a situação está mudando. É preciso muita luta para conquistarmos o reconhecimento que merecemos”.

Mamour Ba: Cultura com pureza de verdade
O senegalês Mamour Ba, que desenvolve há mais de 30 anos um expressivo trabalho de música, percussão e dança africana em BH, fez uma participação inesquecível no Aldeia. Ele abriu o evento no sábado, dia 01, com oficinas de dança afro e percussão, e não deixou ninguém parado durante o show. Hoje, Mamour Ba participará da abertura oficial do Aldeia.

Em entrevista ao “Encontre-se”, Mamour assinalou que Minas ainda precisa avançar muito no desenvolvimento de políticas de valorização da cultura africana e afro-descendente. Ele aponta que, entre as possíveis frentes de atuação, estão a formação de um corpo de dança profissional e de um coral de nível internacional, e ainda a ampla divulgação do trabalho de bandas de qualidade. Ele ressalta ser crucial a implementação de ações capazes de fortalecer os grupos voltados à pesquisa e transmissão, “com pureza de verdade”, dos elementos da cultura afro-brasileira. O artista destacou ainda que é no cotidiano que todos desempenham o importante papel de valorização da cultura. Afinal, para Mamour, “a maior herança que um pai pode deixar para seu filho é a sua raiz e a sua cultura”.

 

Aldeia destaca

Mestre Orlando no Centro Cultural UFMG
Quem quiser matar a saudade e rever uma parte do acervo de Mestre Orlando (Orlando Santos Ferreira), não pode perder a mostra de sua obra que integra a Aldeia Kilombo Século 21, até 09/07, no Centro Cultural UFMG (Av. Santos Dumont, 174 – Centro).

Mestre Orlando foi um pedreiro que gostava de fazer entalhes na madeira. Nos anos 70, ele levava suas esculturas para a feira hippie da Praça da Liberdade. Mas já no final da década ele foi descoberto e incentivado por outros artistas mineiros, e saiu do anonimato. Em 1977, foi premiado no concurso nacional do Museu de Arte Moderna da Pampulha.

Orlando montou um ateliê em sua casa, para ensinar sua arte a meninos moradores de rua, como retribuição aos mineiros que o projetaram em sua carreira. Desenvolveu esse trabalho por mais de dez anos em diversos bairros de Belo Horizonte. Sua proposta era, por meio da arte, oferecer esperança e perspectivas de desenvolvimento e melhoria da qualidade de vida aos jovens. Falecido em 2003, o Mestre deixou 12 filhos, e vários deles dão continuidade ao seu trabalho. É o caso de Allan, que, como o pai, esculpe em pedra sabão, madeira e bloco sical. Allan defende a importância da inserção social de jovens pela via da arte, abrindo perspectivas para eles perceberem-se cidadãos.

Samba, Afoxé e Maracatu
O Trovão de Minas, bloco de Maracatu de baque virado, participou do cortejo de tambores e animou as comemorações na Aldeia Kilombo Século 21.

O bloco tem sete anos de vida e faz uma fusão de ritmos (samba e afoxé), tendo sua base no maracatu. Para quem quiser conhecer mais e participar das atividades, o bloco promove aulas a partir de R$ 5,00, no Espaço Gonguê, situado na rua Patrocínio, 189 – Carlos Prates.

Contatos: Lênis ou Alcione - (31) 9735-9627

 

Agenda

> PARQUES DE BH – Oficinas gratuitas: dança, percussão, estética afro e outras. De terça (04/07) a sexta (07/07), de 09h às 11h, e 14h às 16h.

> ESPAÇO ALDEIA KILOMBO (Praça da Estação, 50) – Terça, 04/07, 18h – Roda de Conversa: “Congado, Reinado ou Irmandade? – Como reverenciar essa manifestação em Minas”, com integrantes das irmandades N. Sra. do Rosário Jatobá, N. Sra. do Rosário 13 de Maio e N. Sra. do Rosário dos Ciriaco, Candombe Serra do Cipó, Comunidade dos Arturos.

 

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Esta agência de notícias faz pa
rte da Rede Jovem de Cidadania,
rede de comunicação comunitária integrada por jovens
de todas as regiões de Belo Horizonte.

Responsáveis por esta edição: Warley Musquito e Ediane Filgueiras (reportagem e redação), Carem Abreu (coordenação de comunicação do Aldeia Kilombo Século 21), Warley Bombi (design) e Rafaela Lima (coordenação e edição).

 

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