Belo Horizonte, 04 de julho de 2006 - Ano 03 Boletim # 32

ESPECIAL ALDEIA KILOMBO SÉCULO 21

Lançamento de revista marca abertura da Aldeia


Abertura oficial
A abertura oficial contou com a presença e performances dos mestres de dança Marlene Silva, Mamour Ba, Charuto, Aroldo Alves, Evandro Passos, Kely Cardoso (representando Carlos Afro) e João Angoleiro. “É o momento das forças e entidades que promovem a cultura afro-descendente se encontrarem” disse Ronaldo Maia, integrante da equipe de produção da Aldeia. Logo após, houve o lançamento da revista “Angoleiro é que Eu Sou” e, em seguida, apresentações culturais da Companhia Baobá de Arte Africana e Brasileira e Afro-Brasileira. O encerramento foi ao som de Donas da Voz.

Lançamento: Revista Angoleiro é que Eu Sou
A publicação da ACESA – Associação de Capoeira Angola Eu Sou Angoleiro apresenta a trajetória de Mestre João Angoleiro, o envolvimento dele na capoeira angola e como se projetou na capital. Mestre João começou a treinar em 1973 e só ingressou para a capoeira angola em 82 com mestre Rogério, um dos precursores dessa arte. Em 85, João buscou em Salvador a nata da capoeiragem, treinou até 87 com o mestre Moraes, tendo liberdade para visitar outros capoeiristas da velha guarda como Curió, João Grande e João Pequeno.

No próximo dia 27 a ACESA completará 13 anos de atuação sócio-cultural por meio da capoeira angola e dança afro-brasileira. Durante o lançamento da revista, o senegalês Mamour Ba focou a importância da cultura negra na educação, lembrando que “não há muitos profissionais especializados na área. O tempo não volta e parece que brincamos com nossa cultura”. Falou sobre seu carinho com a capital mineira, relembrando que quando foi convidado para lecionar numa faculdade na Bahia não aceitou, dizendo “meu coração está em BH”.

 

Aldeia destaca


Frases do dia
“Somos responsáveis pela construção do país e temos que ser valorizados”.
Marlene Silva

“Eu sou só uma semente nesse processo todo”.
Mestre Primo

“Os negros têm que ser unidos”.
Charuto

“Um salve a todas as comunidades de matriz africana do Brasil e do mundo”.
Ronaldo Maia

“Nós estamos repetindo a mesma coisa: pegando vísceras da Casa Grande e transformando essas vísceras numa grande feijoada. Todo mundo come, enche a barriga, dança e canta. Mas nós temos que mudar isso”.
Mestre Índio

Importância do Festival de Arte Negra
A educadora Valéria Silva, da Associação Cultural Odum Orixás, lembra das dificuldades para a realização do evento. “Esse espaço foi aberto com muita briga. O que está acontecendo já é um grande passo dado em prol do movimento negro”. Segundo a educadora, o FAN vai além dos dias da realização do evento porque “todos nós temos potencial para desenvolver mais dentro da nossa cultura”. Ronaldo Maia completa que “a cultura africana está trazendo para nós códigos de educação diferentes daqueles que aprendemos na escola”.

Fundação Municipal de Cultura e políticas públicas
O representante da Fundação Municipal de Cultura, José Liboreiro, esteve presente no terceiro dia do evento e espera que “os resultados do movimento e a participação no FAN possam trazer elementos necessários para a condução de um programa de políticas públicas de cultura para a arte negra”. Ele ainda ressaltou o apoio e a disposição da Fundação em ajudar no que for necessário e sua expectativa “de que os festivais possam ser políticas permanentes do poder público municipal, não somente um evento que acontece a cada dois anos”.

 

Agenda

> NOS PARQUES DE BH – Oficinas gratuitas: dança afro, capoeira angola, percussão, meio ambiente, estética afro e outras. Até sexta (7/07), de 09h às 11h, e 14h às 16h.

> ESPAÇO ALDEIA KILOMBO (Praça da Estação, nº 50) – Quarta, 05/07, 18h – Roda de Conversa: Religiões de Matriz Africana – “Do Mito à Realidade”, com integrantes da BASIKI Bantu KASANJE e Bakis Bantu Kasanje de Mateus Leme, Manzo Ngunzu e llê Wopo Olojukam de BH, llê Ache Moinho Velho de Governador Valadares, Manzo Panvo Kiamazi de Sabará e COMACON.

 

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rte da Rede Jovem de Cidadania,
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de todas as regiões de Belo Horizonte.

Responsáveis por esta edição: Warley Musquito e Ediane Filgueiras (reportagem e redação), Luan Gomide (assessoria de comunicação Aldeia Kilombo Século 21), Júnia Bertolino (colaboração), Warley Bombi (design) e Rafaela Lima (coordenação e edição).

 

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